segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Suécia

Estudo sobre receptores ganha prêmio Nobel de Química

Descoberta de dois cientistas americanos abre caminho para o desenvolvimento de remédios mais eficientes e com menos efeitos colaterais.

 

A Academia Real de Ciências da Suécia concedeu, nesta quarta-feira, o Prêmio Nobel de Química de 2012 para os pesquisadores americanos Robert Lefkowitz e Brian Kobilka, por causa de seus estudos com receptores celulares. Eles foram responsáveis por descobrir e descrever o funcionamento dos receptores acoplados à proteína G, que são responsáveis por fazer as células captarem a ação de fatores externos, como luz, sabor e olfato, e de hormônios, como adrenalina e dopamina, e comandar as respostas necessárias. Pela pesquisa, Lefkowitz e Kobilka vão receber um prêmio de 1,2 milhão de dólares (cerca de 2,4 milhões de reais).

Avanços recentes — O avanço seguinte na área aconteceu nos anos 1980, quando o jovem Brian Kobilka passou a a integrar a equipe de Lefkowitz. A difícil missão que lhe foi incumbida foi isolar em meio a todo o DNA celular os genes específicos que codificam os receptores beta-adrenérgicos. Ao analisar a estrutura do receptor, Kobilka descobriu que ele se parecia com outros receptores, responsáveis por capturar os sinais de luz na retina dos olhos. Foi aí que, numa conclusão arrojada para a época, intuiu que havia uma classe de receptores que se pareciam fisicamente e funcionavam de maneira semelhante.

Hoje, essa família é conhecida como receptores acoplados à proteína G por conta de seu mecanismo de ação. Cerca de metade deles são responsáveis por perceber os odores, e fazem parte do sistema olfativo. Um terço é formado por receptores de hormônios como dopamina, serotonina e histamina. Cerca da metade de todos os remédios, entre eles os betabloqueadores, anti-histamínicos e vários tipos de medicamentos psiquiátricos, fazem efeito através dos receptores acoplados a proteínas G. "Por isso, a descrição de seu funcionamento interno levará a grandes avanços neste âmbito", afirmou o comunicado da Academia Real Sueca de Ciências.

Mais recentemente, em 2011, Kobilka conseguiu um outro avanço importante na área – dessa vez na liderança de sua própria equipe. Ele capturou a imagem de um receptor beta-adrenérgico no exato momento em que ele foi ativado por um hormônio e transmitiu sinais para o interior da célula. Segundo os organizadores do prêmio Nobel, a imagem é uma obra-prima de ciência molecular, e é resultado das décadas de pesquisa na área. Ela ilustra o exato mecanismo pelo qual os receptores se comunicam com as proteínas internas da célula, e deve ser usada no desenvolvimento de novas drogas.

 

Um comentário:

  1. Isso só vem confirmar a importância da química enquanto ciência para a humanidade . . .

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