Suécia
Estudo sobre receptores ganha prêmio Nobel de Química
Descoberta de dois
cientistas americanos abre caminho para o desenvolvimento de remédios
mais eficientes e com menos efeitos colaterais.
A Academia Real de Ciências da Suécia concedeu, nesta quarta-feira, o
Prêmio Nobel de Química de 2012 para os pesquisadores americanos Robert Lefkowitz e Brian Kobilka,
por causa de seus estudos com receptores celulares. Eles foram
responsáveis por descobrir e descrever o funcionamento dos receptores
acoplados à proteína G, que são responsáveis por fazer as células
captarem a ação de fatores externos, como luz, sabor e olfato, e de
hormônios, como adrenalina e dopamina, e comandar as respostas
necessárias. Pela pesquisa, Lefkowitz e Kobilka vão receber um prêmio de
1,2 milhão de dólares (cerca de 2,4 milhões de reais).
Avanços recentes — O avanço seguinte na área aconteceu
nos anos 1980, quando o jovem Brian Kobilka passou a a integrar a equipe
de Lefkowitz. A difícil missão que lhe foi incumbida foi isolar em meio
a todo o DNA celular os genes específicos que codificam os receptores
beta-adrenérgicos. Ao analisar a estrutura do receptor, Kobilka
descobriu que ele se parecia com outros receptores, responsáveis por
capturar os sinais de luz na retina dos olhos. Foi aí que, numa
conclusão arrojada para a época, intuiu que havia uma classe de
receptores que se pareciam fisicamente e funcionavam de maneira
semelhante.
Hoje, essa família é conhecida como receptores acoplados à proteína G
por conta de seu mecanismo de ação. Cerca de metade deles são
responsáveis por perceber os odores, e fazem parte do sistema olfativo.
Um terço é formado por receptores de hormônios como dopamina, serotonina
e histamina. Cerca da metade de todos os remédios, entre eles os
betabloqueadores, anti-histamínicos e vários tipos de medicamentos
psiquiátricos, fazem efeito através dos receptores acoplados a proteínas
G. "Por isso, a descrição de seu funcionamento interno levará a grandes
avanços neste âmbito", afirmou o comunicado da Academia Real Sueca de
Ciências.
Mais recentemente, em 2011, Kobilka conseguiu um outro avanço
importante na área – dessa vez na liderança de sua própria equipe. Ele
capturou a imagem de um receptor beta-adrenérgico no exato momento em
que ele foi ativado por um hormônio e transmitiu sinais para o interior
da célula. Segundo os organizadores do prêmio Nobel, a imagem é uma
obra-prima de ciência molecular, e é resultado das décadas de pesquisa
na área. Ela ilustra o exato mecanismo pelo qual os receptores se
comunicam com as proteínas internas da célula, e deve ser usada no
desenvolvimento de novas drogas.
Isso só vem confirmar a importância da química enquanto ciência para a humanidade . . .
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